Por António Capitão
O segundo comandante-geral da Polícia Nacional declarou, na cidade do Uíge, que existe excesso de postos de controlo policial ao longo das estradas do país.
O comissário-chefe Paulo de Almeida, que esteve na quarta-feira na província do Uíge à frente de uma delegação de peritos em viação e trânsito, informou que o excesso de postos de controlo
provoca desconforto aos automobilistas e passageiros.
“Muitas vezes, o pessoal da polícia de Viação e Trânsito tem exagerado na montagem e instalação de postos de controlo policiais ao longo das vias”, sublinhou.
Paulo de Almeida foi recebido em audiência pelo Governador Paulo Pombolo (imagem de Mavitidi Mulaza)
Sobre a sua deslocação ao Uíge, esclareceu estar preocupado com os elevados índices de sinistralidade rodoviária registados na estrada nacional número 100, que liga a capital do país àquela
província do norte de Angola. A sua deslocação teve por objectivo, precisamente, constatar in loco as razões para os inúmeros acidentes registados e com base nelas serem tomadas medidas
preventivas.
“A via que liga a capital do país à província do Uíge, passando pela do Bengo, é uma estrada de muita sinistralidade”, referiu, adiantando que estão a ser realizados estudos que vão permitir a
adopção de medidas que levem à redução dos acidentes naquela estrada.
Para já, aponta a degradação do tapete asfáltico, a falta de visibilidade ao longo da estrada provocada pelo capim alto e árvores que se encontram muito próximo das bermas, além das
características geofísicas da região e o desrespeito pelo Código de Estrada, como os principais factores que estão na origem dos acidentes.
O comissário chefe Paulo de Almeida, que viajou por estrada até ao Uíge, informou que, durante o percurso, uma das viaturas quase que teve um acidente grave, pelo facto de haver “inúmeras
crateras abertas ao longo da via, situação que dificulta a boa condução”. Em seu entender, o capim e as árvores também diminuem os ângulos de visão dos automobilistas.
Combate à criminalidade
O comissário chefe anunciou o reforço de medidas de combate à criminalidade na região e revelou que, de acordo com a avaliação efectuada pelo corpo directivo da corporação no Uíge, se prevê o
reforço de mais acções do Comando Geral para um combate mais aturado à criminalidade.
Paulo de Almeida defendeu ainda a necessidade de serem melhoradas as condições de trabalho dos efectivos da corporação, referindo que o melhor desempenho das forças policiais também depende das
condições laborais postas à sua disposição.
A deslocação da delegação ao Uíge serviu para avaliar o funcionamento da Polícia Nacional na região e as suas condições de trabalho. A comitiva desdobrou-se em contactos que incluíram encontros
com as autoridades governamentais locais, uma vez que “os governos provinciais têm um papel importante na melhoria das condições de trabalho da corporação”, disse.
Imigração ilegal
O comissário-chefe defendeu a necessidade de se apetrechar ainda mais a Polícia de Guarda Fronteiras com meios tecnológicos, recursos humanos e infra-estruturas, para melhorar o combate à
imigração ilegal na fronteira com a República Democrática do Congo. Nesse sentido, existem novos mecanismos tácticos que vão permitir à corporação ser cada vez mais oportuna na detenção dos
violadores das fronteiras nacionais.
“Temos conhecimento de que as fronteiras da província do Uíge com a República Democrática do Congo são alvo de muitas violações. Por isso, estamos a estudar mecanismos para diminuir o movimento
migratório ilegal com os meios que temos à nossa disposição”, acentuou. Durante o encontro mantido com o governador provincial do Uíge, Paulo Pombolo, o comissário chefe Paulo de Almeida
solicitou a inclusão de projectos que garantam a melhoria das condições laborais da corporação nos programas de acção dos próximos anos.
J. A