O amor à vida e à Pátria.
A vida é bela! Infelizmente, é também curta para muitos. Por isso, uma boa parte da juventude procura viver com muitos sonhos, encarando o presente com cautela e alegria, quando procura traçar o futuro com optimismo, revelando as suas ambições, muitas delas desmedidas. Quando o país está a rasgar novos horizontes, com iniciativas aprovadas e executadas no âmbito da paz e da democracia, depois de um longo tempo de guerra, muitos são os jovens que se aplicam para ajudar Angola a caminhar para a frente, isto é, rumo a um desenvolvimento mais seguro, para que as gerações vindouras não vivam as dificuldades que complicaram a vida de muitos.
Qualquer jovem que viveu na carne e no espírito os efeitos negativos da guerra sabe valorizar a vida, sentindo-se motivado a trabalhar mais, no sentido de compensar o tempo perdido, e ter no seu horizonte um futuro próprio de um cidadão que ama a vida e a sua Pátria. No Uíge, minha terra natal, gente desta não falta. Não falta porque a província cafeícola foi uma das regiões que mais sofreu com o conflito armado que marcou o país numa determinada etapa da sua história. Tempo atrás, Uíge era um palco para os confrontos militares e os jovens desta área viveram momentos de desespero, quando o futuro aparecia como incerto e inseguro.
Com o fim da guerra, graças ao empenho de todos os angolanos, a alegria, a esperança e o espírito de sacrifício marcam quase todos os jovens da terra do bago vermelho. Os desafios, de facto,
parecem muitos. E são desafios animadores e edificantes. “A terra é nossa!”, dizem ultimamente estes jovens que sempre acreditam num futuro melhor. Infelizmente, nem todos conseguem levar até ao
fim os seus ideais. As razões são muitas e de vária ordem.
Que o diga a jovem Tasi, ela que na cidade do bago vermelho era conhecida como a “irmã sorriso”, ela que era vista pelos uigenses como a “jovem do futuro”, ela que nunca se cansava de transmitir
aos mais velhos e aos mais novos a coragem para enfrentar os obstáculos que surgem na vida e que devem ser ultrapassados, ela que lutava, com justiça, a fim de ganhar o pão para o seu sustento e
da sua família. Não foi “eleita” como uma das jovens uigenses com elevado grau de patriotismo? Não jurou ela a bandeira para contribuir no controle das fronteiras do país, como uma funcionária
exemplar da DEFA no Uíge?
Pois bem, ultimamente, a jovem Tasi está a causar muita tristeza às famílias uigenses. Muito nova, acabou por perder a vida quando tinha ainda muito para dar no crescimento da província. E o povo
do Uíge sente a sua falta, e as dores pelo desaparecimento físico desta menina que era, e continuará a ser, modelo para a juventude. O facto de toda a população da cidade chorar pela sua morte, e
sentir-se chocada com essa realidade, é reflexo do espírito de fraternidade que orienta a vida nesta região. E sendo Uíge uma cidade relativamente pequena, onde todos se “conhecem”, foi tão fácil
identificar este “golpe”. Dirigentes de todos os quadrantes da província, e de outros, incluindo os da cidade capital, Luanda, endereçaram mensagens de condolência à família e ao povo do Uíge.
Entretanto, a morte da Tasi está a ser vista a nível local como um “sinal de alerta”, uma lição sobre a vida, que é muitas vezes conservada durante a guerra, mas se perde, com facilidade, em
pleno tempo de paz.
Evidentemente, Tasi, que já não faz parte do mundo dos vivos, foi uma pessoa que confirma esta observação. A menina nasceu em tempo de guerra, cresceu e viveu também em tempo de guerra. Sempre na
linda cidade do Uíge, enfrentou muitas situações de perigo durante o conflito armado. Mas soube sempre livrar-se delas, e a sorte esteve também, e sempre, ao seu lado, e conseguiu sobreviver do
meio desse “inferno terrestre”. Por isso, sonhava com uma vida longa e feliz, depois de o país ter conquistado a paz. Sonhava sempre que um dia iria beneficiar, de uma forma directa ou indirecta,
dos efeitos positivos da Reconstrução Nacional. Sempre teve fé na consolidação da paz e da democracia, e sempre acreditou que Angola iria ser um bom país para viver.
De uma forma livre, responsável, ímpar, simples e discreta, directa ou indirectamente, a Tasi foi uma cidadã que, num silêncio total, fez muita coisa pelo país. Certamente, se vivesse ainda,
faria mais, como já tinha demonstrado enquanto viveu nesta terra. Por isso, muitos jovens uigenses procuram imitá-la, reconhecendo que o país também avança com gente simples, pequena, mas forte
em matéria de patriotismo. Vendo como o povo ainda chora por Tasi, vale a pena relembrar de onde veio ela. Veio de uma família pobre, humilde, e sem nome. Foi ela própria que lutou, através dos
estudos, do trabalho e da vida familiar, para singrar na vida. Teve a vontade de vencer. Hoje, toda cidade do bago vermelho está a render-lhe uma homenagem singular e bem merecida. Pessoalmente,
sinto saudades da Tasi. O povo do Uíge também.
MUANAMOSI MATUMONA