Sobre o padre Frei Pedro João,morto na Damba em 1961.
Por João Garcia
Depois de ter lido o artigo de Camilo Afonso onde fala da morte do padre Frei Pedro João descobri uns relatos sobre a sua morte publicados no “Boletim Geral Ultramarino” de 1961. Como é evidente a versão é diferente da mencionada e a linguagem utilizada é a do governo colonial da altura sendo os nacionalistas apelidados de terroristas. De todo o modo achei interessante enviar-lhe os textos pois, desde que devidamente datados e com as devidas cautelas dadas as fontes (Governo colonial português) podem ser úteis para a história da Damba. Do relato de Camilo Afonso anoto aquilo que também aconteceu no Quitexe: a tropa portuguesa a servir de obstáculo à acção vingativa da Pide, fazendeiros e algumas autoridades administrativas sobre a população local.
Eis o conteúdo no "Bolentim Geral Ultramarino" de 1961:
Dia 20(Maio ? 1961)---Bandos de terroristas volataram a atacar a vila da Damba,desta vez destribuidos em dois grupos.Visavam,sobretudo,os locais onde a população reforçada com elementos da polícia se concentrou para a organização da defesa: as casas do Administrador e do Secratário e do Club local.Os dois grupos entraram,um pela estrada de Maquela,o outro,bastante mais numeroso,pela estrada do 31 de Janeiro.Antes de tomarem posições,destruiram ou danificaram o recheio,das residências e estabelicimentos da vila.Um padre capuchinho,antes de ser iniciado o ataque,fez uma tentativa de apaziguar os atacantes,e abandonando as posições defensivas,foi ao seu encontro,vestindo o seu burel,tentando falar-lhes com braços no ar.Sem dar tempo para uma defesa,os terroristas atingiram o sacerdote com um tiro,sendo o corpo recuperado mais tarde pelos defensores,que,apesar do perigo,efectuaram um funeral condigno.O ataque manteve-se durante algum tempo,mas em vista da tenacidade da defesa,os atacantes foram repelidos,deixando pesadas baixas.
O padre capuchinho evocou,na sua acção,os sentimentos cristãos,que julagava haver no grupo de bandoleiros,chama-se Pedro Juan e era natural de Trieste.Tinha 33 anos e foi para Angola em 1956,sendo colocado na Missão Católica da Damba,onde era geralmente estimado.Depois de 15 de Março,a sua acção foi notável,ajudando os defensores de todos meios ao seu alcance.