FUNDAÇÃO DO POSTO MILITAR DO QUITEXE
A data da fundação do Quitexe como posto militar ainda está envolta emcontrovérsia. Depois das campanhas de João de Almeida, em 1907 contra os Dembos (aqui com significado das populações da
região administrativa,separada do Colungo Alto e compreendida entre o curso médio do Dange ou Dande, a norte, e o rio Bengo a sul) julgava-se a zona pacificada. Nada mais erróneo. A debilidade do
dispositivo militar português e a tentativa de cobrança do imposto depalhota ia fazendo estalar revoltas dos que se tinham submetido uns anos antes, aliando-se, agora, aos que mantinham a sua
independência.Durante vários anos os Dembos mantiveram-se fora do controle das autoridades portuguesas: os impostos não eram cobrados e os fortins eram impotentes. No entanto foi desenvolvido um
lento processo de envolvimento militar e administrativo da região, apertando-se o cerco a norte e leste. Para isso muito contribuiu o governador do distrito de Quanza Norte (major de artilharia
Alfredo Djalme Martins de Azevedo). Neste distrito ao qual estavam ligados os Dembos (incluindo os do norte do rio Dange, que noutros tempos tinham estado dependentes de S. José do Encoge) um
destacamento militar que partira de Camabatela (fundada em 1915) instalou em 1915 (segundo Hélio Felgas – “História do Congo Português – Carmona, 1958) ou, mais provavelmente, em Março de 1917
(segundo Marquês do Lavradio, Pedro Francisco Massano de Amorim, Pelo Império n.º 73, Agência Geral das Colónias, 1941), os postos militares de Quisseque e de Quitexe e criou a capitania-mor do
Ambuíla. Dirigiu-se depois para S.José do Encoge pelo leste.O posto militar fundado nas terras do Dembo Quitexe e adoptando o seu nome,
num “plateau” a 750m de altitude, rodeado de serras e às portas da região dos dembos viria a dar origem à povoação e vila do Quitexe.A autoridade portuguesa só seria estabelecida nos Dembos em
1919.
NOTA FINAL
As operações nos Dembos não ficaram pelas 1913.Anos depois,nova coluna invadiu a região e,de então para cá,se pode considerar completa,a sua vassalagem,não sem que por ela tenha
corrido um caudal de sangue.Necessário? Não necessário? A história o dirá.Por enquanto é cedo demais para para fazê-la.As ossadas dos que tombaram,andam por lá,ainda,à flor da terra,e o tempo não
pagou,ainda,os vestígios e os trágicos efeitos da luta.
Esta nota escrita por Manuel Resende no livro “A ocupação do Dembos 1615-1913” é bem premonitória dos trágicos acontecimentos de 1961 e da guerra que se seguiu. Depois prolongou-se, numa guerra
fratricida entre os
movimentos de libertação até ao século XXI. É caso para dizer que, passados quase 100 anos, “as ossadas dos que tombaram, andam por lá, ainda, à flor da terra”.
João L.M.N.Garcia