Por Edivaldo Cristóvão
Bispo do Zaire diz que é hora de reflexão
Fotografia: Jornal de Angola
O Bispo da província do Zaire, D. Vicente Carlos Kiaziku apelou, ontem, à sociedade para reflectir sobre os principais objectivos que levaram os angolanos a lutarem pela independência.
O prelado afirmou que a paz é factor de desenvolvimento e progresso e que todos devem trabalhar para melhorar a vida dos angolanos. “Agora temos de lutar para atingir os objectivos do progresso
para a província do Zaire. Há ainda muita coisa por fazer, como a conclusão das estradas e do aeroporto, que são dois factores que dificultam as comunicações”, disse D. Vicente Carlos Kiaziku,
apelando ao Executivo para pôr em prática os projectos já definidos, para melhorar a vida dos cidadãos.
O bispo Vicente Kiaziku frisou que a Independência Nacional deve servir de reflexão para todos angolanos, no sentido de analisarem os objectivos que fizeram o povo angolano pegar em armas para
lutar contra o colonialismo.
“Com a conquista da independência registaram-se aspectos positivos, que têm a ver com o início da liberdade política, económica e a recuperação da própria identidade dos angolanos, mas existem
coisas ainda que temos por conquistar, como o bem-estar dos cidadãos, que passa por ter uma casa, ter três refeições por dia e garantir a formação das crianças”, disse o bispo do Zaire.
Mensagem dos bispos
O bispo Vicente Kiaziku leu uma mensagem dos bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), sobre as conquistas e os desafios de Angola durante os 35 anos de independência.
“Na época da guerra muitas feridas se abriram no coração dos angolanos, que felizmente têm vindo a cicatrizar e rogamos ao Senhor para que esta cura seja completa sem qualquer perigo de recaída”,
disse.
Vicente Kiaziku falou dos progressos alcançados depois da conquista da paz. “Saudamos com glória os progressos que se registaram nestes oitos anos de paz, as vias de comunicação, a ligação das
periferias com a capital do país, teve um avanço inegável”, disse, apontando as escolas criadas nos centros municipais e as estruturas sanitárias, além das estradas e pontes.
Os bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé apelam também para a extensão dos serviços de saúde e água potável às aldeias. “Todo o cidadão deve ter acesso fácil à água, sem deixar de
lado a energia e habitação, para que ninguém viva marginalizado da civilização actual”, sublinha a mensagem, apelando aos pais para fazerem dos seus lares a vivência do reino de Deus.
Falta de padres
Vicente Kiaziku disse que a Igreja Católica no Zaire carece de sacerdotes para servirem toda população e que ausência dos pode fazer extinguir os 400 mil fiéis católicos existentes na província.
“Neste domingo ordenamos mais três sacerdotes, agora totalizam nove, divididos em seis paróquias. A assistência nas aldeias tem sido muito difícil, isso faz com que as missões estejam fechadas
durante muito tempo, porque não têm sacerdotes residentes. Esta situação pode fazer os cristãos mudarem de religião”, disse.
J.A