Aumento da criminalidade no Uíge preocupa autoridades provinciais
Por Nicodemos Paulo e Moniz Muquebele
O comandante provincial da
Polícia Nacional no Uíge, comissário António Ribeiro, denunciou a existência de um grupo de marginais que está a assassinar elementos de protecção física de empresas privadas, para lhes roubar as
armas.
“Prevíamos uma redução da criminalidade na província, com o desarmamento da população civil, mas os marginais adoptaram um novo método de aquisição de armas, apoderando-se das espingardas de
efectivos de protecção física, depois de os matar”, disse.
O comissário garantiu o reforço das acções operativas na província, tendo em conta o aumento da criminalidade, nos últimos dias.
Para restaurar a ordem e a tranquilidade públicas, a Polícia Nacional no Uíge realizou, nos últimos dias, algumas operações, que resultaram na apreensão de 45 indivíduos de ambos os sexos, com
idades compreendidas entre os 15 e os 43 anos.
O chefe do Gabinete de Estudos e Análise do comando provincial da Polícia Nacional, superintendente-chefe Pedro de Mello Camuíca, disse que pesam sobre os detidos acusações de roubo qualificado,
violação, vandalismo, posse ilegal de armas de fogo, homicídio e tráfico, consumo e comercialização de estupefacientes.
O governador provincial do Uíge disse estar preocupado com os níveis de criminalidade registados nos últimos dias na província, principalmente no município do Uíge.
Paulo Pombolo manifestou a sua inquietação quando falava na sessão de abertura do Conselho Consultivo alargado da delegação do Interior e do comando provincial da Polícia Nacional no Uíge, na
segunda-feira.
O governante disse ser preocupante o crescimento da criminalidade na província, um fenómeno que já começa a inquietar a população.
Solidariedade institucional
Nesse sentido, defendeu uma maior solidariedade institucional entre os órgãos da administração da justiça e a Polícia Nacional, com vista a reduzir os índices de criminalidade e à reeducação dos
criminosos.
“Tem-se notado a desarticulação e falta de harmonia nas acções desenvolvidas pela Polícia de Investigação Criminal, a procuradoria e o tribunal” afirmou.
A polícia efectua operações de detenção de marginais, muito deles com crimes provados e, após serem entregues ao Ministério Público, dias depois são devolvidos à liberdade. “Isso não é bom”,
sublinhou.
Os participantes no Conselho Consultivo analisaram as actividades desenvolvidas pela corporação no ano passado, o estado de segurança dos reclusos dentro e fora do recinto prisional, a capacidade
de intervenção dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros e a rotatividade dos especialistas dos Serviços de Migração e Estrangeiro (SME) nos postos fronteiriços e localidades.
Os membros do Conselho Consultivo do comando provincial da Polícia Nacional e da delegação provincial do Ministério do Interior foram informados sobre o processo de planeamento das actividades
para 2012/2017, o plano de protecção policial para este ano, o Programa de Investimentos Públicos para os órgãos do Ministério do Interior na região, o assegurar das condições logísticas das
forças e o nível de cobertura da rede de comunicações e informática.
J.A