A lagoa de Granja da Damba, chamava-se Ku Sulu.
Por Dr. Camilo Afonso Nanizau
Assim dvem ser reunidas todas as lembranças da nossa Ndamba. Fazem parte da nossa memória histórica do passado, do presente e do amanhã, para aqueles todos, que não conheceram e
testemunharam parte destas vivências. E um testemunho válido para as novas gerações. Isto é o que faz a história- Lusansu ye Kinkulu kya nsi. Esta é parte da nossa
identidade como Mindamba.
Estão ali lapidadas imagens do que foi a Ndamba. E preciso que a obra da recolha de testemunhos como estes seja continuada. Precisámos de juntar tudo quanto possa contribuir para a escritura
da nossa história da Ndamba. E a busca da nossa identidade real como Mindamba - Lusansu. Quando se pergunta a alguèm na nossa cultura Bakongo, Nge nanii? Não só se buscar
conhecer a sua identidade familiar, mas, busca-se também, a sua identidade geográfica de nascimento. Tudo está interligado. Só assim se pode compreender quem tu és. Força aí, que tudo isto vai
relembrando os tempos que nós vivemos.
A Familia Faria é nossa ( ver: Recordando o tio Pepe (Pedro) Faria ) . Foram os padrinhos de
casamento dos meus pais em 1948. Razão para dizer-lhe que os meus pais foram os primeiros casados católicos no Nzunga kya Ndamba (no Município da Ndamba). Por isso, digo que são os nossos avôs.
Dos nomes mencionados neste, testemunho são das familias que nos são comuns. O Mundamba que se prese, sabe bem quem são estas familias, de lembranças mil. Do clima já não se fala. Não
é preciso falar da Europa e das suas estações para se engalanarem as belezas que têm. O testemunho do Zé Neves Ferreira, filho de pais portugueses, diz tudo sobre a realidade
geo-climática da Ndamba. E muito recentemente vimos as fotos da Ndamba, a quando da inauguração da casa do Kota Minguiedi mya Kyami. Que bela imagem daquele nevoeiro da Ndamba? E a Suiça dos
Mindamba!
Quem não se recorda da nossa Granja, das lindas frutas e dos mergulhos na lagoa, ali existente. Relembrar que nesta Granja foram feitos todos os ensaios das sementes de cereais, de fruticulturas
e outras plantas europeias. Na construção das represas de água, muitos dos nossos velhos e prisioneiros ali trabalharam e morreram, quando as águas das represas rebentassem. Era
conhecida pelos nossos velhos, com o nome de Ku Sulu. Local de sofrimento e de muitas mortes. Fruto da repressão colonial. Por isso, esta Granja deve ser vista como um lugar de Memória histórica.
Para não acontecer com o que se fez com a antiga Administração Colonial, conhecida pelos nossos velhos de Mongo Vwá, quer dizer, montanha de nove degraus. Ela tinha uma escadaria de nove degraus.
Nos nossos dias, pessoas sem memória do que foi aquela casa para os Mindamba, mandaram demolir, para fins inconfessos.
Devemos lutar contra estes tipo de atitudes e comportamentos. Estão a destruir a nossa Memória comum. Esquecem-se dos feitos de Namputu,
Nakunzi, Nzau wa Mbakala, Nkama Ntambu, Mbyanda Ngunga, Ndwalu
Mbuta, Ntu wa Kombo, Mfumu Yokola, Kyala kya Ntalu, Kyala kya Zinga, e tantos
outros anónimos defensores desta região. A história da região honra-os pelos seus feitos de coragem e bravura. Farão parte do nosso panteão municipal, quando as novas gerações souberem
escrever com letras de ouro esta história.
Quem não se recorda, dos encontros ali havidos entre os alunos da Escola Primária e os da Missão Católica da Damba? e com muitas lutas entre ambos. Os tais, Basula! Enfim, recordar é viver.