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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Nos traços da primeira Missão de Nkusu, em 1649!

Publicado por Muana Damba activado 30 Junio 2012, 13:02pm

Etiquetas: #Fragmentos históricos da Damba

 

 

 

Por Dr MANUEL ALFREDO DE MORAIS MARTINS. (Administrador da Damba 1945-1953).



Alfredo de Morais Martins.

 

 

PRIMEIRA PEDRA – MISSÃO DA DAMBA (Sublinhado nosso)

Para provar como a recordação da antiga evangelização é vaga entre os pagãos de muitas regiões do Congo, queremos recordar um episódio de que tomámos parte na Damba, em 1946. O falecido Monsenhor Alves Cunha, que durante largos anos foi vigário-geral da diocese de Luanda e era um dos mais competentes estudiosos da história angolana, pediu-nos, por intermédio do Ver.º Cónego Barata, então superior da Missão de S. Salvador, informações sobre a localização da antiga Missão do Cusso, que havia sido fundada em 31 de Dezembro de 1649 pelos padres capuchinhos italianos Bonaventura de Coneglia e Pietro de Vejas. Interrogados os chefes indígenas da região, nada de concreto conseguimos apurar. Só no ano seguinte, quando nos encontrávamos no centro daquela região nos trabalhos de recenseamento, conseguimos informações que levaram à descoberta das ruínas da Missão.


Ao interrogarmos o velho Movodi, chefe de uma das principais linhagens da região, sobre o assunto, ele informou-nos de que os antigos diziam que no cume de uma colina próxima, sobranceira à actual Banza Cusso, tinha existido, há muito tempo, uma casa onde viviam brancos “que não compravam nem vendiam”.

Não tivemos oportunidade, nessa ocasião, de visitar o local, mas no ano seguinte, baseado nas nossas informações, o Ver.º Padre Hilarino de Cassaco, capuchinho italiano e, ao tempo, superior da Missão da Damba, acabada de criar, lá descobriu os restos das fundações da velha Missão, que os seus confrades e compatriotas haviam fundado três séculos antes, e delas trouxe a pedra que serviu de cerimónia que marcou o início da construção da nova residência missionária.

Por aqui se vê que, na tradição local, se tinha perdido a memória da finalidade principal da presença daqueles brancos na região, apenas sabendo que não compravam nem vendiam, isto é, que não eram comerciantes.

 

 

                                                                        Em colaboração com Artur Mendes

 

 


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