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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


O edifício destruído na Damba, tinha características próprias.

Publicado por Muana Damba activado 5 Septiembre 2016, 01:41am

Etiquetas: #Coisas e gentes da Damba

O edifício destruído na Damba, tinha características próprias.

Por Makunza Tungu "Tony Sofrimento"

Este edifício do século passado, tais como outros espalhados por Angola e mesmo Portugal, tinha características próprias. As linhas arquitectónicas únicas na localidade, se impunham nos dois pisos do edifício. O portal e as varandas conferiam nobreza ao edifício rosadotijolado.
A última conferência sobre a Ndamba, decidiu que aquele edifício fosse conservado e transformado em monumento.

Nesta conferência, uma comissão que integra o Governador, natural do município, fora escolhida para implementar as decisões e encontrar fundamentos técnico-científicos para a certificação das datas sobre a fundação e outras em discussão.
A Ndamba fica órfã mais uma vez.

Esventraram o poder pois invadiram o seu espaço. A coabitação entre zonas administrativas e habitacionais assim como comerciais é perniciosa e isso acontece na América na Europa ou na China.

Órfã mais uma vez porque já perdeu o edifício da antiga Administração, do Sector de Combate às Tripanossomíases, das casas do delegado de saúde, do médico, do quartel e sua capela, etc...

Sabiam que também não foram poupados os eucaliptos que tinham um papel importante na gestão ambiental da vila?

Consternado pelo falecimento do Hélder Macedo

Consternado, pois ferido com duas notícias que me fizeram regressar à Ndamba.
A mais triste, o falecimento do Helder Macedo.

Não só a prematuridade do facto mas também por ser alguém que cobriu a nossa meninice com momentos inolvidáveis.

Vivia na vila, aí nas casas sociais construídas depois da antiga creche. Findo o eucaliptal, estavam aí casas habitadas na altura por funcionários e outros novos habitantes do vilarejo. Eles ocupavam a casa do meio. Sua mãe Dona Fátima, de tez escura e com uma formosura acentuada, viera do Ambriz. O Pai, o Sr. Henrique de Macedo viera para a vila pois estava aí instalada uma oficina de reparação de viaturas e era um grande bate-chapas, habitava o lugar já fazia anos pois seu filho José Manuel nascerá no final dos anos 50, do primeiro relacionamento.

O Helder era o tipo de criança, da idade da minha irmã Gé mas vivia como os "brancos", na vila e com os que estavam perto, os filhos dos comerciantes e vizinhos de outra classe, assim se diferenciava de nós.

Sempre bem educado pois Dona Fátima não deixava este lado ao acaso e ele mais o Nelson, seu irmão mais novo, compunham a família mais pequena dos negros da vila.

Partilhamos a escola primária da vila, já eu estava a fazer a 3ª classe mas, isso não impediu que partilhássemos o folguedo dos recreios e das brincadeiras pôs-escolares.

Passar pela casa do Helder era sentir o cheiro a cozinha diferente, muito próxima a europeia. Os fritos e refogados diários lembravam os ocasionais e de dias festivos da maioria da população.

O Helder, foi também o menino negro que ficou mais próximo dos 1ºs carros fabricados na Ndamba. Seu Pai, o Sr. Henrique de Macedo, transformara a chapa em dois bonitos carros a motor - um turismo e um jeep - que o Sr. Cardoso, dono da oficina e o seu genro Manuel Paradella, idealizariam para presentear o Horácio Manuel Paradella, neto e filho, esse sim nosso contemporâneo que partilhamos carteira na escola primária e depois no Colégio Cristo Rei do Bungo. Depois da dispersão ocorrida pôs 25 de Abril, a família manteve-se na Ndamba de onde saiu tempos depois para fixar-se no Negage.

Já em luanda, o Helder sempre manteve o contacto connosco, avivando mesmo recordações e planos para o nosso lugar. Assistimos com tristeza a partida da Dona Fatima.

Da última vez que nos vimos, continuava cordial, tendo mesmo reclamado um encontro. Perguntou pelo Nelo, o meu irmão.

Foi do Pecos que recebi a chamada a partir de Lisboa a anunciar o falecimento do Helder.

Visitamos o Sr. Macedo que sereno vive o constrangimento e consternação da perda do filho. Lembrou-se de nós e perguntou pelo Tungo, meu Pai.

Descanse em Paz, Helder!!!

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