Overblog Seguir este blog
Edit post Administration Create my blog

Portal da Damba e da História do Kongo

Portal da Damba e da História do Kongo

Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Este ano, 2016, o centenário da dança Samba: uma expressão cultural altamente simbólica e histórica da tradição Bantu no Brasil

Publicado por Muana Damba activado 29 Junio 2016, 08:18am

Etiquetas: #História do Reino do Kongo

Negro Fandango Scene (1822), de Augustus Earle (1793/1838)

Negro Fandango Scene (1822), de Augustus Earle (1793/1838)

 

Por Samba Tomba Justes Axel (*)

 

A dança do samba, que é um aspecto ou um momento muito essencial das músicas populares brasileiras e do carnaval brasileiro, têm hoje 100 anos de idade, desde sua criação pelos escravos Bantu no Brasil no fim de seculo XIX. A celebração do centenário do samba, é também um momento importante de conhecer melhor sua história, suas origens, para compreender melhor o samba, pois sem o passado, não têm presente, nenhum o futuro.

Ao crepúsculo do século XV, a África Central Bantu entra em contato com a Europa oeste.Trata- se de nomeadamente do poderoso e majestoso Reino Kongo (Congo) e de Reino de Portugal. Aquelas realezas tendo tradições centenárias em suas organizações econômica e social e em suas políticas, eles tinham, cada uma, uma história particular, que têm tido certamente semelhanças históricas. Este que tinha um reino encontrou um outro durante os descobrimentos.

Vamos conhecer essas semelhanças históricas, contando a trama de eventos que tem marcado a história desses estados, que, infelizmente, não é o campo dos estudos deste
trabalho.

As relações entre os dois reinos, estabelecidos no ano de 1482, por causa de grandes expedições, não tardarão esboroar-se com o mal querer dos comerciais e missionários portugueses, accionando, assim o comércio de Negros, em direção de São Tomé desde o século XV e das Américas desde 1510 no reino Kongo(Congo). Com a descoberta do Brasil no ano de 1500, milhares escravizados Bantu do Reino do Kongo e Angola, foram exportados nas plantações de açúcar, de café à partir de ano de 1532 (Nei Lopez: «Cultura em Movimento. Matriz Africanas e Ativismo Negro No Brasil», Selo Negro, Sao Paulo, 2014). Portanto dos seculos XVI até XIX,os Bantu serão exportados no Brasil, constituando o antiquíssimo grupo escravos africanos e o maior número de todos escravos africanos no Brasil.

Então, estes escravos Bantu foram deportados no Rio de Janeiro, na Bahia, no Rio Grande de Norte, Recife, Rio Grande Sul, Espírito Santo, São Paulo. Estes Bantu trouxeram as suas tradições e cultura. A perpetuação destas tradições Bantu, nas muitas formas, constituirão o epicentro de resistência, de sobrevivência do património e civilização Bantu no Brasil. Assim, estas tradições Bantu, por causa de anterioridade, e da maioria parte de Bantu no Brasil inclusive sua riqueza, serão a Matriz, a Mãe da Cultura Afro Brasileira imponente até hoje. E entre as heranças ou aspetos culturais Afro-Bantu - Brasileira: a Dança do samba.


O samba é uma palavra Bantu. Esta venha do termo semba, que significa «Umbigo » numa lingua Bantu oriundu do antigo Reino do Kongo, o que correspondia atualmente aos duas republicas do Congo e Angola. Nesta contexto, samba quer dizer «dançar com alegria». O termo semba é assim associado à umbigada, um convite a dançar que é esfregar um umbigo contra o umbigo em ritmos binários.

Em umbundu, outra lingua da régião de origem dos escravos Bantu, samba significa «estar animado, excitado ».

O samba oficialmente, é nascido no Largo João da Baiana, Pedra do Sal (pequena África) no Rio de Janeiro no inicio do seculo XX. Com efeito, ao fim do seculo XIX, com a abolição de escravatura, muitos dos antigos escravos Bantu e os outros escravos africanos, dirigiram-se nesta grande cidade (a capital do país no tempo passado) para trabalhar nas docas, como vendedores ambulantes ou empregados domésticos. Eles trouxeram consigo suas danças e percussões africanos. Samba é de fato da sobrevivência de danças Bantu.

O primeiro samba gravado era "Pelo telefone" (ao telefone) em 1916 pelo cantor Ernesto Dos Santos, dito Donga. Os primeiros sambas foram muitos influênciados pelos outros ritmos do tempo, como maxixe (muito ràpidamente) e orientado (um ritmo simples, binário e perene). No recém-lançado Dicionário da História social do Samba (Editora Civilização Brasileira), Nei Lopes e Luiz António Simas explicam que o violonista e compositor Ernesto Dos Santos popularmente conhecido como Donga, registrou «Pelo Telefone» como samba carnavalesco na Biblioteca Nacional em 1916. Daí a comemoração, neste ano do centenário do ritmo. Mas o pioneirismo é contestado.

«Pelo Telefone» pode ter sido o primeiro samba gravado ou a fazer sucesso. Mas, antes dele,houve «em casa de baiana», anotado como samba de partido alto, cinco anos antes. As primeiras escolas do samba consistiram em pequenos grupos de não mais de
cinquenta pessoas desfilando sem fantasias, ao som de tambores. Eses grupos, chamados de blocost, competindo audácia e imaginação, o primeiro a ser conhecido como "Deixa Falar" em 1928, no bairro chamado Estácio, no Rio de Janeiro.

 

Hoje, a forma mais popular e mais prático de todos sambas, é o Samba-Enredo de escolas do samba, que é feito na parada de carnaval nas principais avenidas do Rio de Janeiro. Ele é inspirado no samba de roda, que é de estado da Bahia, surgido provavelmente no seculo XIX. É esta origem baiana, que falaram Nei Lopes e Luiz António Simas. Há varios elementos que estão associados ao sucesso do Samba Carnaval, cuja figura: Comissão de Frente, Melodia, Mestre Sala e Porta Bandeira, Alegria, Carnavalesco e Dirigentes. Os instrumentos utilizados no samba são diversos instrumentos de cordas [como Cavaquinho e varios tipos violão] e variados instrumentos de percussão.

A dança do samba é feito com os pés que saltitam como em transe e palmas. O samba desempenha um grande papel na visibilidade do Rio de Janeiro e Brasil. E o samba é um dos fatores que torna o estado de Rio de Janeiro muito influênte com o mesmo nome da cidade, entre os estados do Brasil. O samba, através seu carnaval, impulsiona economia cultural do pais pelos milhares de turistas que vem viver neste festa cultural altamente memoravél e histórica Afro-Brasileira, que tem suas raizes nas tradições Bantu ancestrais .

« Na década de ano de 1940, o mundo considerou o Brasil como o berço do samba», disse o historiador e Professor Brasileiro Diniz André em sua obra: Almanaque do Samba-A história do Samba, o que onde ler curtir. Jorge Zahar Editor. Rio de Janeiro, 2006, página 25.

O século do samba deve estar também um tempo de avaliar duma outra maneira a cultura Bantu no Brasil para sua perpetuação, sua autenticidade, de ver estratégias de integração educacional e profissional de jovens Negros. E também para todos negros que acham que eles têm origens Bantu (os dois Congo-Angola) de voltar ainda aos tradições ancestrais, e mesmo de ir à terra de Congo e Angola, para acrescentar seus conhecimentos.

O samba Bantu brasileiro foi transportado também em Moçambique, onde se celebra o Carnaval brasileiro na cidade de Quelimane (nome que lembra a etnia de Moçambicanos que chegaram no Brasil em escravidão), em província de Zambezia. Lá, o carnaval se chama “Pequeno Brasil”.

O samba tem seus origens distantes de Maracatu, uma outra festa Bantu-Kongo no estado do Pernambuco.O samba constitue hoje uma das heranças radiantes culturais da civilização Kongo, Umbundu, Ovimbundo (BANTU) para o Brasil.

 

------------------------------------------------------------------------------------------------------------

MBANZA-KONGO: Símbolo de renascimento dos povos Kongo

(*) SAMBA TOMBA Justes Axel, é congolês da República do Congo ou Congo- Brazzaville. É licenciado em História (com especialidade em história da civilização e história do Reino do Kongo e história Transatlântica dos Bantu nas Américas) e frequenta o nível de segundo período de mestrado. É pesquisador em História da civilização Kongo em África Central e sobre em Antropologia Sócio-Cultural dos Bantu nas Américas, nomeadamente as sobrevivências culturais Bantu.

Membro da União Nacional de Escritores e Artistas Congolês (U.N.E.A.C.). Ele já publicou muitos artigos históricos sobre a civilização Kongo e a história do Congo Brazzaville.

Actualmente ele estuda no Brasil no Rio de Janeiro na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) . Ele é membro da Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) (APBN) e membro do laboratório de Estudos Áfricanos (LEAFRICA/UFRJ) e do Laboratório de Estudos das Diferenças e Desigualdades

 

Do mesmo autor, as seguintes ligações:

 

Archivos

Ultimos Posts