Overblog Seguir este blog
Edit post Administration Create my blog

Portal da Damba e da História do Kongo

Portal da Damba e da História do Kongo

Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


O VALOR DA CONSCIÊNCIA HISTÓRICA “Angola-Afrika”

Publicado por Muana Damba activado 25 Abril 2016, 09:03am

Etiquetas: #Cultura

Por João Niango Ngombo Kina

Compreendemos que a História mais que qualquer outra disciplina, é uma ciência humana, pois ela sai bem quente da forja ruidosa e tumultuada dos povos. Modelada realmente pelo homem nos canteiros da vida, construída mentalmente pelo homem nos laboratórios, bibliotecas e sítios de escavações, a história é igualmente feita para o homem, para o povo, para aclarar e motivar sua consciência.

Por vários motivos em Afrika, assim como na diáspora, se vai semeando desde o princípio do nacionalismo Afrikano até os dias atuais, no seio da população Nativa, como Afro-Descendente, o resgate do valor da consciência histórica, assim como o resgate cultural historico-científico do homem Afrikano. No fundo é um trabalho árduo e contínuo que visa emancipar e despertar o orgulho e a consciência do Afrikano para com a sua real historiografia Cultura Espiritualidade etc. Digo abono da verdade que, esse trabalho nem sempre tem sido feito de forma contínua e transparente, em particular em Afrikana (obviamente), como por exemplo ; Angola.

Em Angola a legalidade histórica ainda é vista via binóculo (a distância), por motivos Políticos, étnico xenófobo Religioso, e por consequente, do acasalamento da sociedade moderna Angolana para com o ex colono (Português).

Existe aqui um pormenor que não deve e não pode passar em branco (como questões ligadas a história da política Angolana, assim como da história fora do contexto político Angolano), como as armadilhas narradas nas escolas, imprensa e em manuais de ensinamento(livros), que trazem pra lá do orgulho alheio minado de ocidentalismo, Eurocentrismo, partidarismo e etnicidade egocêntrica.

No campo sociocultural, a história de Angola ganha valor ou identidade, quando o assunto “por encomenda” tem haver com os Ambundus, onde figuras do grupo étnico Ambundu são levados como bebés ao colo, ou seja, são mais destacados com relação a figuras de outros povos ou grupos étnicos que entermos histórico até foram mais antigos e representativos na história que diz respeito ao continente berço (Afrika), tal como os Bakongos (que criaram um dos maiores Império de Afrika, Império Do Kôngo), assim como os Tchokwes(que também criaram outro grande império, Lunda Tchokwe), os Umbundos, Hereros, Khoi-San etc. Mesmo assim as histórias destes povos não têm o mesmo impacto ou quilate(Comparativamente) com as figuras históricas dos Ambundus.

Sempre existiu uma divisão social política e étnica, quando se construiu a história moderna de Angola.

Essas divisões nada trazem, para aquilo que conhecemos de unidade na diversidade, ou, legalidade histórica Sociocultural Angolana, que está a ser ridiculamente conduzida por ciúmes doentio xenófobo étnico político religioso e etc.

Esse tipo de mentalidade quadrada em nada ajuda no campo da construção da verdadeira unidade, diversidade étnico-cultural política e sobretudo no que diz respeito a consciência histórica que tanto precisámos implantar em gerações vindouras, e não só.

No campo da consciência histórica política Angolana, Infelizmente as figuras mais sonantes, provêem, ou, são maioritariamente do MPLA(sobretudo quando o assunto tem haver com os heróis e heroínas, ou figuras que marcaram uma determinada etapa).

O partido no poder faz da história da política nacional Angolana, uma mera propaganda massiva partidária de figuras que marcaram o partido (MPLA) desde a fundação do partido até a fundação da República De Angola como estado democrático e de direito, para assim perpetuar cada vez mais a sua história no seio da consciência do cidadão Angolano que cada vez mais vai acreditando em contos mitológicos, como a militância partidária de N'gangula, e consequentemente no fácil acreditar que foi graças ao MPLA (e não aos Movimentos de libertação que existia por essa Angola toda) que somos hoje um estado de direito e livre da brutalidade colonial Portuguesa (Escravidão).

Ilustres leitores, tenho de dizer sem dúvida alguma que o povo em si é que sai a perder. Andámos a deriva sem identidade própria, e nos pegámos tão fácil a identidade cultural Portuguesa e Partidária, que propriamente com a nossa real Afrikanidade e Angolanidade. Em suma, o Eurocêntrismo (Português) que a muito tem vestido a sociedade Angolana, o egoísmo-histórico, a Xenofobia, o fanatismo partidário, a etnicidade egocêntrica e a religiosidade deixada pelo colono como herança, têm afastado de que maneira o resgate da consciência histórica cultural espiritual científica social etc, assim como a legalidade histórica do povo Angolano.

«Até hoje muita gente por falta de conhecimento histórico pensa que o Bakongo e o Tchokwe são Congoleses que propriamente Angolanos, ou seja, Langas(como são chamados pejorativamente ou xenofobamente), tudo por falta de consciência histórica.

Até hoje muita gente pensa que em 1975 alguns militantes de partidos políticos do norte de Angola, tal como o PDA e FNLA comiam corações humanos ou Carne de pessoas. Acto que resultou num macabro ataque xenófobo Protagonizado pelo MPLA.

Até hoje muita gente não sabe os motivos que levaram a UNITA de Jonas Savimbi a fazer uma duradoura guerra, que vitimou centenas de vidas (inocentes) e não só.

Até hoje muita gente pensa que em 1977 houve uma tentativa de golpe de estado em Angola. Tal tentativa que vitimou muitos dos nacionalistas Angolanos. Alguns até pertenciam ao partido das massas.

Até hoje muita gente pensa que Diogo Cão descobriu Angola, e que foi por sua via que a civilização entrou em Angola, aliás, ainda se aprende nas escolas que quando os portugueses chegaram a Angola, encontraram um povo totalmente nómada ou primitivo, sem quaisquer civilização alguma.»

O poder étnico e político é tão forte, que o ensino académico e a imprensa nacional (Do Estado) passaram a pertencer intimamente a uma determinada instituição partidária, na qual as histórias e as notícias são maioritariamente de cariz partidário e étnico, e não democrático, ou nacional. As notícias só são notícias quando é do interesse do partido que está no Poder, e a história só é história quando visa valorizar alguns povos ou grupo étnico, invés de todos no modo geral.

Atenção, Angola é um país com vários grupos étnicos, e todos eles estão no direito de pertencer ou fazer parte do Livro de história da nação Angolana, sem quaisquer descriminação cultural, étnica, Religiosa e Política.

De Salientar que, o que está acontecer em Angola também tem acontecido em outros países Afrikanos.

Para nós os Áfrikanos, bem dizia um historiador ; “A história de Áfrika não é um espelho de Narciso, nem um pretexto sutil para se abstrair das tarefas da atualidade. Essa diversão alienadora poderia comprometer os objetivos científicos culturais político-social histórico e educacionais, da questão de reescrever a história do continente berço. Em contrapartida, a ignorância de seu próprio passado, ou seja, de uma grande parte de si mesmo, não seria ainda mais alienadora? Todos os males que acometem a Áfrika hoje, assim como todas as venturas que aí se revelam, resultam de inumeráveis forças impulsionadas pela história. E da mesma forma que a reconstituição do desenvolvimento de uma doença é a primeira etapa de um projeto racional de diagnóstico e terapêutica, a primeira tarefa de análise global do continente Áfrikano é histórica. A menos que optássemos pela inconsciência e pela alienação, não poderíamos viver sem memória ou com a memória do outro.”

Ora, a história é a memória dos povos.

Esse retorno a si mesmo pode, aliás, revestir-se do valor de uma catarse libertadora, como acontece com o processo de submersão em si próprio efetivado pela psicanálise que, ao revelar as bases dos entraves de nossa personalidade, desata de uma só vez os complexos que atrelam nossa consciência às raízes profundas do sub-consciente.

Para não substituir um mito por outro, é preciso que a verdade histórica, matriz da consciência desalienada e autêntica, seja rigorosamente examinada e fundada sobre provas, sem fanatismo partidário, étnico e religioso.

A cultura, a Espiritualidade Identidade, e o valor da consciência histórica de um povo, é Incomensurável !

O VALOR DA CONSCIÊNCIA HISTÓRICA “Angola-Afrika”

Archivos

Ultimos Posts