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Portal da Damba e da História do Kongo

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DIGRESSÃO DE SIMÃO TOCO AO NORTE DE ANGOLA, em 1962.

Publicado por Muana Damba activado 14 Febrero 2016, 10:03am

Etiquetas: #A luta de libertação de Angola, #História do Reino do Kongo

DIGRESSÃO DE SIMÃO TOCO AO NORTE DE ANGOLA, em 1962.

DIGRESSÃO DE SIMÃO TOCO AO NORTE DE ANGOLA

Extraída do documento de Toco, «Resumo da minha viagem para o norte de Angola com a minha comitiva, iniciada em 16.06.1962 à 02.08.1962».

Eu e a minha comitiva, Snr Luvualu David, Domingos Quibeta e meu filho João Toco, partimos de Luanda para Carmona (Uige) em 16.06.1962, onde fomos recebidos pelo Sr Administrador de Cangola. Em 17.06.1962 visitamos alguns lugares públicos, em companhia do Snr Comandante Gonçalves da Sec-ção de Transportes do Corpo de Voluntarios.


Em 18.06.1962 seguimos o nosso itinerário em direcção ao Songo. Não tendo encontrado o Sr Administrador João Domingos da Costa, conti-nuamos a nossa viagem para o povo Quicari-cari. As 18 horas regressamos ao Songo e convocamos a população branca e nativa do Songo, exortando-a.


Em 19.06.1962 partimos do Songo para o Tôto e do Tôto para o Colonato do Vale do Loge, onde fomos bem recebidos pelos Senhores Major, Doutor, Capitão, Tenente, Alferes, etc e alguns funcionários públicos e fazendeiros. Durante os dias da nossa permanência no Colonato, entramos em várias matas, acompanhados pelo Sr Administrador de Cangola e a tropa, a procura dos nativos refugiados para se apresentarem as autoridades. Nada se conseguiu, em virtude deles encontrarem-se no poder da UPA, que os distribuiu em diversas matas formadas pelos quartéis onde eram vigiados.


Os quartéis bem armados são: Os da secção da mata de Sanda Quina, Yamba, Bembe, Yangila, Quicanga, Dio, Sangui, Vamba, Kamba, Bonde, Culo, Yinga o Central de Nova Caipemba, os quartéis ao lado do rio Bridge, Caluca, Vambara, Gemba, Fwesse, Quiduardo até Songa onde recebiam o material de guerra vindo da Tunisia, Marrocos, Russia, América, Guine, Gana, India, Alemanha Federal, etc. Percorremos várias matas à busca dos refugiados para se apresenta-rem as autoridades, mas a UPA não os deixava.


Em 21.06.1962 regressamos para o Tôto e do Tôto para a povoação de Quimaria e de Quimaria para o Tôto. No Tôto, o Sr Administrador de Cangola que nos acompanhava ficou doente, regressando para Carmona. Nos continuamos a nossa viagem para o Bembe.


Em 23.06.1962 fomos recebi-dos pelo Sr Aspirante Alfredo Palmeira Machado que arranjou-nos hospedaria na residência do Snr Administrador. Não o encontramos e a sua Senhora, por terem sofrido um acidente duma bomba armada pelos inimigos e que explodiu debaixo do seu carro e foram levados para um posto de socorro para receberem tratamento.


Em 24.06.1962 fomos bem recebidos pelos Senhres Capitão, Tenente, Alferes e toda força do Exercito Português que guardavam aquela Vila, os quais, acompanharam-nos do Bembe para as picadas do Bonde e Culo à 25 km da estrada, a procura dos refugiados. E continuamos a viagem para Lucunga onde fomos recebidos pelo Sr Chefe daquele Posto Administrativo, Manuel dos Santos Ferreira Calado e Sr Tenente daquele Pelotão.


Em 25.06.1962 partimos de Lucunga para Damba, onde fomos recebidos pelos Sr. Administrador Orlando Teixeira de Sousa, Secretário e Aspirante.


Em 26.06.1962 visitamos toda Vila e algumas povoações em redor da Damba, visitamos a Missão Católica, os professores, os alunos na escola, etc.


Em 27.06.1962 rumamos para Quibocolo, onde demoramos apenas 30 minutos, e depois de trocarmos algumas impressões com o Sr Chefe do Posto, continuamos a nossa viagem para Maquela do Zombo, onde fomos recebidos pelo Sr Administrador João da Silva S. Miguel e Sr Secretário Faria.


Em 28.06.1962 visitamos as sanzalas de Maquela do Zombo, reunindo os nativos de cada sanzala, explicando a diferença que existe entre os verdadeiros cidadão portugueses e os comunistas. Durante a nossa estadia em Maquela do Zombo, fomos a fronteira do Congo ex-Belga várias vezes, à busca dos nossos irmãos refugiados por causa do terror da UPA...

OBS.: A estadia de Simão Toco em Maquela com Luvualu David e João Sivi Toco, estendeu-se até o dia 02 de Agosto de 1962 e que culminou com a criação da aldeia Ntaya Nova para albergar os Tocoístas regressados do Congo Leopoldville, principalmente as mais de 500 famílias prove-nientes do Vale do Loge. Em Maquela, Toco esteve as fronteiras de Kimbata (28.06.1962), Malele (29.06.1962), Mbanza Sosso (30.06.1962) e Kinsitu do outro lado da fronteira, Kimbata (03.07.1962). Este ultimo, foi o encontro mais vibrante e que marcou o reencontro dos Tocoistas do Vale do Loge. No dia 04 de Julho, oito anciãos reúnem em Maquela com Simão Toco para tratarem da construção da Aldeia para os Tocoistas. Mbanza Sosso (09 e 10.07.1962) e várias aldeias do Congo. De referir que a presença de Toco nos Postos fronteiriços de Mbanza Sosso, principalmente em Quindopolo e Songololo, mereceu forte resistência dos Kimbanguistas e dos membros da UPA que tentaram desacreditá-lo.

DIGRESSÃO DE SIMÃO TOCO AO NORTE DE ANGOLA, em 1962.

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