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Portal da Damba e da História do Kongo

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Página de informação geral do Município da Damba e da história do Kongo


Quem pode perpetuar a arte de fabricar as mobílias de junco na Damba?

Publicado por Muana Damba activado 9 Julio 2015, 04:52am

Etiquetas: #Fragmentos históricos da Damba, #Coisas e gentes da Damba

 
Por Dr. Camilo Afonso Nanizau Landa
 
 
 
Dr Camilo Afonso Nanizau.
 

 

Entre os artistas das mobílias de junco fabricadas na Ndamba, o tio Nteka kya Kwama, o pai do falecido Bispo Dom Afonso Nteka, foi um dos grandes mestres da referida escola. O que foi confirmado pelo Soba Nyemba, no recente Colóquio sobre as origens da Damba. E quando pedi-lhe se ainda existiam mestres que sabiam trabalhar o junco, lamentou que muitos deles já tinham morrido. Claro que este já não é o problema.Temos muitos artistas em Luanda e que podem muito bem fazer isto, na Damba, desde que hajam apoios por parte do Governo Provincial e fundamentalmente por parte da Administração local.
 
Eis a razão de eu ter colocado esta preocupação aos mais velhos reunidos nas primeiras festas da Damba.Tudo depende das iniciativas e apoios locais. Este é um ponto chave para o retorno de muita gente à Damba, quando conseguirmos reerguer esta arte dos cadeireiros da Damba.
 
O General Henrique Galvão num dos seus trabalhos sobre os territórios de colonização portuguesa, ao chegar à Damba e ter visitado a oficina, tirou algumas fotografias e numa delas fez referência sobre a arte dos cadeireiros da Damba.
 
A Missão Católica da Damba depois da guerra de 1961, reunia os melhores marceneiros da Damba. Destacando-se, o Irmão João Baptista, o Mestre José de Carvalho Fonseca, pai do Grande Flávio, Mestre João Paiva, Mestre Paulo Tana, Mestre Francisco Sebastião e outros que vieram depois. Eu antes de partir para a Escola de Habilitação de Professores do Posto, "Rebocho Vaz", em Carmona, passei por lá. Nossos pais diziam que o homem na sua vida tinha que ser Nkama-Ntambu (*)! Fomos aprendizes desta escola de marceneiros. Do meu grupo faziam parte, João Miguel, José Sóqui, José Salakwakweno, Eduardo Bunga e outros que a memória já não se lembra.
 
 
Ao lado, desta escola tínhamos na Missão, a única tipografia da Damba, cujo grande mestre foi o Prof.º e catequista, José Pedro de Faria Tufwa, Profº João Kyame, Profº António Kivixi, Profº Carlos Nkamba, estes foram os primeiros a frequentarem a tipografia dentre outros. Mais tarde, depois da guerra de 1961, os falecidos Mendes Augusto, Almeida Zongo, Barroso Kyala, e outros da geração deles. Eu também passei ali, e muitos outros jovens depois de mim.
 
Os blocos de contas, facturas comerciais, livros de ponto, cadernetas escolares e outros materiais, como envelopoes, convites, cartões de visita eram elaborados e imprimidos nesta tipografia. Voltando para as mobílias de junco e de madeira, todas eram feitas na Damba, até a nossa Dipanda.
 
Na verdade, o nosso município merece reocupar o seu lugar de destaque dentre os demais municípios da província do Uíge. É por isso, que depois de Maquela do Zombo é a Damba, no quadro do desenvolvimento econômico e social da nossa Região Norte.
 
 
Tio Costa Kyala kya Kiteka, era o destacável, Mestre da Arte Sacra na Damba e na Região Norte de Angola. Os seus crucifixos em pau preto (mbote) ficaram reconhecidos e descritos em monografias da administração da Damba, da província do Uíge e do CITA, que julgo tratar-se de Centro de Informação Turística de Angola. Está referenciado nas obras de José Redinha, na sua obra, etnias de Angola.
 
Apenas algumas pequenas lembranças do exercício de memória, para elucidarmos as nossas jovens gerações da Ndamba.Temos uma grande "cruz" a levarmos nas costas para o ressurgimento desta Bela Ndamba!
 
Escusado será estarmos a procurar os culpados do fraco desenvolvimento do nosso município.Todos nós somos culpados, desde o momento que lá deixamos enterrados os nossos umbigos ou não. Mundamba é Mundamba, igual ao Mundamba é só Mundamba. Para finalizar com a palavras do meu Mano Minguiedi mya Kyami (Miguel Kiame), mutu kadyati nkweno! Luvova dyambu diwa Mfumu ye Nganga. E yani ngindu, ntulu ye ntulu. E yani nzò ya se ye ngudi mwana tomissanga yo! Lusadi kya mbote."
 
 
(*) Um HOMEM NKAMA NTAMBU - um homem polivalente, um homem capaz de aproveitar várias oportunidades da vida (nota do Muana Damba).
 
 
 
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